quarta-feira, 30 de Julho de 2008

António Emiliano - AS CONTAS E OS NÚMEROS DO ACORDO ORTOGRÁFICO

O único documento oficial favorável ao Acordo Ortográfico de 1990 (AO) que se conhece é a "Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990)" (anexo II do AO). Essa Nota contém, para além de múltiplas deficiências técnicas, lacunas graves: menciona estudos preliminares que ninguém viu e que não estão disponíveis, e refere dados quantitativos que ninguém pode verificar.

A Nota Explicativa defende, nomeadamente, o baixo impacto das mudanças ortográficas através de percentagens (menos de 2% de palavras afectadas pelo AO) calculadas a partir de uma lista de 110 mil palavras (de estrutura e composição desconhecidas) pertencentes ao "vocabulário geral da língua", ignorando a) as frequências das palavras, b) as formas flexionadas das mesmas e c) a possibilidade de todas as palavras afectadas formarem combinatórias com outras, i.e., termos complexos, designações complexas, etc. É uma avaliação desprovida de método rigoroso e de base científica séria: a consideração eventual das frequências, das flexões (cada verbo tem mais de cinquenta formas distintas), das prefixações (atestadas e virtuais) e das combinatórias alterará radicalmente os números do impacto ortográfico do AO.

O Governo fez discretamente consultas em 2005, solicitando através do Instituto Camões pareceres a várias instituições: dois pareceres, o do Instituto de Linguística Teórica e Computacional e o da Associação Portuguesa de Linguística (APL), foram tornados públicos aquando da audição parlamentar de 7/4/2008. São pareceres negativos que apontam deficiências graves ao AO. A APL recomenda a suspensão do processo em curso e a não aprovação do 2.º Protocolo Modificativo. Estes pareceres foram tornados públicos, note-se, pelos autores, não pelo Instituto Camões ou pelo Governo. Um requerimento da deputada Zita Seabra permitiu recentemente o conhecimento de todas as entidades contactadas em 2005 e dos pareceres obtidos: há um parecer do Departamento de Linguística da Faculdade de Letras de Lisboa muito negativo, com as mesmas recomendações do parecer da APL, e outro da Academia da Ciências de Lisboa, defendendo a aplicação do AO, redigido por Malaca Casteleiro (MC), autor do AO (!).

No parecer de 2005, MC afirma que "a Academia das Ciências de Lisboa, através do seu Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa, está preparado e disponível para efectuar, num prazo de seis meses, uma primeira versão do referido Vocabulário [Ortográfico], com cerca de quatrocentas mil entradas lexicais".

É informação inédita que não se conjuga facilmente com factos públicos:

1) os argumentos quantitativos de 1990 a favor do AO basearam-se numa lista de 110 mil palavras da Academia das Ciências;

2) o Dicionário da Academia de 2001, coordenado por MC, tem ca. 70 000 entradas;

3) MC foi substituído em 2006 na presidência do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Academia na sequência da elaboração de dicionários "conformes ao AO" publicados (em 2008) pela Texto Editores, Novo Grande Dicionário da Língua Portuguesa com ca. 250 000 entradas e Novo Dicionário da Língua Portuguesa com ca. 125 000;

4) MC é responsável por um projecto aprovado em 2006 pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia - Dicionário ortográfico e de pronúncias do português europeu (PTDC/LIN/ /72833/2006) - financiado com 70 000€€, com o qual se "pretende o desenvolvimento do primeiro dicionário ortográfico e de pronúncias para cerca de 150 mil lemas do português de norma europeia, que deverá constituir uma ferramenta linguística de referência a nível ortográfico, morfológico e fonético" (informação do sítio web da FCT).

Havendo informação objectiva que associa um dos principais autores do AO a listas de palavras de dimensões e composição distintas - - 110 mil palavras em 1990, 125 mil em 2008, 150 mil em 2006, 250 mil em 2008 e 400 mil em 2005 - pergunta-se:

a) qual das listas é a mais fiável?

b) qual a credibilidade dos argumentos de 1990 baseados numa lista de 110 mil palavras?

c) como é possível o autor do AO apresentar no espaço de três anos vocabulários tão díspares?

d) por que razão, em resposta a consulta do Governo, MC declarou em 2005 poder apresentar em seis meses um vocabulário de 400 mil entradas mas em 2006 recebeu da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (ou seja, do Estado) financiamento de 70 000€€ para realizar em três anos um vocabulário com 250 mil palavras?

Algo não bate certo nestes números, que requerem, naturalmente, explicações.

António Emiliano | Linguista e filólogo | Universidade Nova de Lisboa
publicado in Diário de Notícias | 25/7/2008

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A Petição Contra o Acordo Ortográfico continua aberta e disponível para assinatura. Conta hoje com 89 740 assinaturas.

Assine-a em www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa.
Enquanto há Língua, há esperança.

12 comentários:

stempeople disse...

Respeito vossa posição de não aceitar o acordo. Mas se esquecem que a lingua portuguesa é um "instrumento" para estabelecer comunicação entre as pessoas. Existe apenas um fator para definir uma boa comunicação: Se ela comunica, ou não, e esta se modificará eternamente, porque depende das pessoas, que não são estáticas, e ai temos um problema, porque se as pessoas mudam, a mudança na comunicação é inerente. E o que fazer nesse caso?

João Roque Dias disse...

Exctamente, caro "stempeople"! A língua portuguesa - como qualquer língua - é um instrumento para as pessoas comunicarem entre si. Só que, não é com acordos ortográficos metidos a golpes legislativos que se assegura tal compreensão. E, como diz, como a comunicação se modifica eternamente, porque depende das pessoas, não são os legisladores e os iluminados que irão resolver o problema. Simplesmente, porque não podem. Relativamente às variedades do português utilizadas em Portugal e no Brasil, é isso que acontece: não são estáticas e, como é natural, modificam-se eternamente, desde há muito tempo. Não é a ortografia que impede a comunicação: é o vocabulário, é a gramática, é a morfologia. É tudo o que nos separa quando falamos e, por vezes, quando não nos entendemos. Existem algum problema nisso? Nenhum! Precisamente porque a língua se modifica e porque depende das pessoas. Não de leis!

Luiz disse...

Até que enfim um depoimento lúcido neste blog! Parabéns, stempeople, estou inteiramente de acordo com vc.
Se deixar na mão desse pessoal, a ortografia volta ao que era em 1911 ("a ortografia mais perfeita...").
Ridículos!

António Emiliano disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
António Emiliano disse...

Caro João, o seu comentário é, como sempre, lapidar. O português europeu e o português do Brasil são dois conjuntos de variedades linguísticas em processo de deriva divergente multissecular. Podemos, obviamente, fazer como propõe o “filólogo” Carlos Alves dos Reis (em entrevista recente ao Expresso): voltar a pronunciar as vogais átonas do PE como no Brasil, ignorando assim 400-500 anos de história linguística!! (a criatividade acordista não tem limites).

A questão é mesmo essa, que V. aponta: não há AO nenhum que unifique a fonologia, a morfologia, a sintaxe e o léxico portugueses e veracrucianos (aliás, em termos de unificação ortográfica, este AO é uma fraude miserável, pois como diz o parecer da Direcção Geral do Ensino Básico e Secundário de 1991 é uma simples «consagração de desacordos»).

No campo da sintaxe e do léxico o afastamento entre PE e PB é neste momento tão grande que, como V. bem sabe, um texto técnico proveniente do Brasil tem que ser traduzido para PE. Quanto à fonética/fonologia nem falemos: as barreiras à mútua intercompreensão são profundas.

O AO de ’90, não é mais do que, como escreveu o colunista brasileiro Hélio Schwartsmann o produto da «sanha legiferante de dicionaristas e parlamentares» e de um «conluio entre acadêmicos espertos e parlamentares obtusos».

Os países civilizados da Europa, nalguns dos quais houve reformas ortográficas recentes e em nenhum dos quais a ortografia é questão de Estado, devem estar a olhar para nós sem perceber como é possível que em Portugal em 2008 se discuta o indiscutível e se admita o inadmissível.

Quanto ao comentador ‘luiz’: meu amigo, eduque-se, leia uma coisas, a começar pelo AO. Esse “pessoal”, como V. desrespeitosamente diz, é um conjunto de cidadãos portugueses, de todas as sensibilidades políticas, dos quatro cantos do mundo, de todas as profissões e idades, que se preocupa com bens essenciais, e que a Constituição Portuguesa protege: a qualidade do ensino e o uso da língua portuguesa EM PORTUGAL.

(A.E.)

António Emiliano disse...

O que fazer, caro ’stempeople’?

Talvez ... aprender gramática, ou talvez ... aprender português. Hmm?

Não, não me esqueci de que uma língua natural é um “instrumento” de comunicação. Afinal de contas dou umas aulitas de Linguística na UNL.

Mas V. esquece-se ou ignora, como muita boa (e má) gente que fala do AO sem saber do que está a falar, a distinção fundamental que existe entre “língua histórica” (aquilo a que V. chama “língua portuguesa”), “língua padrão” e “língua funcional”.

As mudanças num grafolecto normalizado, são, como sabe, ou deveria saber, sempre impostas de cima: o uso tem um impacto limitado no standard. Neste caso, o que me preocupa é o grafolecto europeu e a norma culta europeia, seguida e adoptada por mais 6 estados lusófonos.

O seu comentário mostra que não entende minimamente o que está em jogo neste momento com a aplicação eventual do AO. A ortografia é um protocolo de codificação da língua escrita; mais, faz parte da língua escrita. Língua escrita é ‘língua’ e no tipo de sociedades que habitamos a língua escrita tem primado absoluto. Além disto, como deve saber, uma ortografia não existe no vazio e não aparece do nada: a nossa levou 700 anos a consolidar-se.

A estabilidade ortográfica é garante essencial de boa qualidade de comunicação. A ortografia não muda ao sabor das mudanças linguísticas ou sociais (por força da sua natureza e função); muda sempre por reforma explícita e imposta. Uma mudança ortográfica é sempre uma crise, uma ruptura.

Agradeço o seu comentário, mas devo notar que é típico de quem desconhece o teor do AO e o impacto previsível do AO, e de quem não domina noções básicas de Linguística, Grafemática, Semiótica, Pragmática, Cultura Portuguesa, História de Portugal, Antrologia, etc.

Sabe, mudar uma ortografia não é o mesmo que mudar a pintura do carro ou redecorar a casa ou mudar de ‘look’. Não é algo que acarrete uma simples mudança de hábito. Não é a coisa simples e inócua que os acordistas pretendem fazer crer (enganando despudoradamente o povo).

Infelizmente, a ignorância cultural e científica que grassa entre quem apoia e defende o AO é portentosa, e leva afirmações como as suas, perdoe a frontalidade: superficiais, banais, desinformadas e ignaras.

Informe-se. Leia o AO. E, por favor, depois de ler e perceber o monumento de indigência cultural e científica que é o AO, assine a petição. Diga NÃO à destruição de um bem que levou dezenas de gerações a ser construído. Diga NÃO ao triunfo da ignorância e da barbárie.
(A.E.)

carnero disse...

António,
Peço minhas sinceras desculpas por ser o percussor de afirmações tão superficiais, banais, desinformadas e ignaras. Resumindo, peço milhares de desculpas por ser tão burro de não entender absolutamente nada de nada.
Eu confesso que depois desse comentário infeliz nunca mais ousarei falar, nem escrever nada a respeito do acordo ortográfico. Acho que nunca mais vou falar em português para não agredir a importância história desta língua riquíssima.
Mas existe uma indagação que impede meu suicídio imediato.
Meu caro, como você imagina defender a sua posição?
Você pretende achar quantos intelectuais que sabem tanto quanto você a respeito de língua histórica, língua padrão, língua funcional, grafolecto normalizado, Lingüística, Grafemática, Semiótica, Pragmática, Cultura Portuguesa, História de Portugal e Antrologia?
Acho que seu conhecimento da língua o impediu de ler a parte onde eu digo que respeito vossa posição, e não entendeu que eu fiz uma pergunta justamente por que eu NÃO sabia a resposta. Se soubesse, obviamente não teria perguntado.
Gostaria de agradecer por você ter gasto tanto tempo digitando uma resposta para meu comentário. Mas gostaria de alertá-lo, pois desta forma você não conseguirá convencer o numero necessário de pessoas sobre a real importância desse acordo, impondo pontos de vista, distribuindo patadas e dando provas de que você foi à escola. Aliás, conhecimento é o que não lhe falta para explicar o impacto desse acordo, para isso a única coisa que lhe falta é um curso de etiqueta, caso seja deselegante mesmo, ou umas férias para ficar mais “relax”, caso esteja estressado.
Obrigado.

António Emiliano disse...

Caro carnero/stempeople,

Não tem que pedir desculpa. Isto é um espaço plural de discussão. Não tive qualquer intenção de o ofender ou melindrar, e se o fiz, aceite, por favor, as minhas desculpas públicas. Queira também desculpar a gralha ‘Antrologia’ por ‘Antropologia’. Aliquando bonus dormitat Homerus.

Quando escrevo sobre o AO reconheço que o meu estilo é, por vezes, abrupto — é um assunto que tende a agastar-me — sobretudo quando me deparo com gente que fala do AO com ligeireza e sem fundamento.

Não tem que agradecer também o tempo que gastei a “teclar” a resposta: não é seu mérito, pois aproveitei o seu comentário para denunciar um tipo de posição desinformada que é comum em defensores do AO.

Quanto às férias, tem toda a razão, estou mesmo a precisar (nota-se muito?). E quanto a “ter ido à escola” também (espero que se note). Mas quanto à etiqueta e às patadas, não percebi.

A sua postagem era ou não era, objectivamente, superficial, banal, desinformada e ignara? Objectivamente, V. falou ou não de questões que não domina minimamente? Disse ou não disse que “nós” esquecemos que a língua é "instrumento de comunicação"? Ignorou ou não o papel supino da ortografia e da estabilidade ortográfica na manutenção da comunicação linguística? Bom, então não vejo onde está a desetiqueta na minha crítica.

Eu sei que vivemos tempos de laxismo, facilitismo e condescendência, em que não fica bem criticar a asneira frontalmente nem denunciar a pobreza de argumentos e de discursos que pululam por esse mundo lusófono fora sobre tudo e mais alguma coisa.

Mas aqui há gente que leva a sério, muito a sério mesmo, com etiqueta e tudo, a DEFESA DA LÍNGUA (reparou no nome deste blog?). Há gente que não transige com o disparate nem com a barbárie galopante.

Aqui ninguém impõe pontos de vista ou dá patadas como V. escreve: aqui discute-se e debate-se, coisas a que porventura V. não está habituado. Discutimos em Portugal o AO de forma viva e acérrima. Porque, como disse alguém (há muitos anos e a propósito de algo que não vem a propósito), isto (o AO) é pior que um crime: é um erro. Um erro monstruoso que iremos, nós e os vindouros, pagar caro.

Boas férias e mande sempre.
Um abraço lusophono (com PH, etiqueta e tudo). - A.E.

carnero disse...

António,
Eu discordo que essa ou qualquer duvida minha seja banal.
Antes de entrar no seu blog, o acordo era como uma coisa fantástica, muito boa para todas as pessoas que usam a língua portuguesa para estabelecer comunicação. Mas agora mudei minha visão sobre o assunto, só porque eu tive a oportunidade de fazer uma pergunta "banal", desprovido de conhecimento aprofundado sobre o assunto.
Vou publicar um post a respeito da importância do acordo, porque tenho a impressão de que não há um conhecimento geral sobre a dimensão do assunto.
Você tem outros blogs?

Férias? Nada disso, vamos trabalhar!

Um abraço lusophono

António Emiliano disse...

Meu Amigo,

Apresento-lhe, uma vez mais, as minhas sinceras desculpas pela eventualidade de o ter melindrado pessoalmente com a minha primeira réplica. Estou mesmo em férias, na encantadora vila de S. Martinho do Porto, a tentar recuperar do stress da vida profissional. Agradeço muito o seu último comentário e a sua sensibilidade. Não vou remover os comentários anteriores, pois penso que podem mostrar pedagogicamente que é mesmo a falar (português) que a gente se entende e que o facto de “ter ido à escola” me não escuda de meter a pata na poça ocasionalmente ou de pecar por proselitismo excessivo. Bem haja pela sua sensatez.

V. pode encontrar na Revista Autor (que é uma publicação online binacional luso-brasileira) textos sobre o AO, especialmente no número de Julho (http://revistaautor.com/).

Na secção de Controvérsias do Ciberdúvidas estão arquivados muitos artigos de opinião sobre o AO (http://ciberduvidas.sapo.pt/controversias.php).

Também a Wikipedia em PT tem informação sobre o AO no artigo ‘Acordo Ortográfico de 1990’ (http://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_Ortográfico_de_1990).

Um abraço lusófono e muito obrigado pela paciência. - António.

JPG disse...

Ao contrário daquilo que geralmente se pensa, o AO também acarretará algumas "despesas" para o Brasil. Claro que, ao menos para disfarçar o mais do que evidente ditame do gigante americano, cozinhou-se neste aborto ("acordo" de nome, imposição de facto) um módico de "cedências" por parte do Brasil; ou algo que se parecesse com semelhante coisa, para disfarçar a liquidação sumária da nossa Língua em função dos interesses brasileiros.
Chega a ser comovente o cuidado que os "negociadores" portugueses colocaram no dejecto escrito, sempre com o objectivo de não dar muita maçada a uma das partes.
Veja-se, por exemplo, esta reportagem; nela se demonstra que os alunos brasileiros vão (iriam) ter dificuldades "enormes" em eliminar o trema que só eles usam, o acento circunflexo em meia dúzia de casos, o hífen em algumas palavras compostas e o acento em "pára". Aquilo vai ser uma suadela desfeita, lá pelo sertão.
A propósito do trema, já agora, devo dizer que sou totalmente a favor da sua reintrodução no Português europeu e padrão. Em matéria de cedências, até porque justificada, essa seria mais do que suficiente - em futura revisão no âmbito da CPLP.

AHAHAHAH disse...

"O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, anunciou em Lisboa que o país deverá acompanhar o Brasil e adiantará a entrada em vigor do acordo ortográfico. Segundo o ministro, o Brasil se transformou no motor da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)."

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